Municípios de MT são cobrados diante da ausência de psicólogos em unidades do SUAS

07/06/2015 07:05
Para o conselheiro, a ausência de psicólogos nas equipes de referência é extremamente negativa não só para os profissionais, como para os usuários também. Isto porque, com a saída de um psicólogo durante o acompanhamento, o vínculo já criado anteriormente é prejudicado
Municípios de MT são cobrados diante da ausência de psicólogos em unidades do SUAS

 

O cumprimento da resolução 17/2011 do Conselho Nacional de Assistência Social que prevê a atuação de psicólogos nas equipes de referência do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) está sendo cobrada pelo Conselho Regional de Psicologia de Mato Grosso (CRP18-MT). Conselheiro do CRP18-MT, Junio de Souza Alves, faz o alerta dizendo que a entidade vem recebendo reclamações quanto à falta de psicólogos nas unidades do SUAS.

De acordo com Junio, a rotatividade de profissionais nestes locais é alta, o que tem contribuído para a ausência de psicólogos nas equipes. Somado a isso, as contratações, que são temporárias, não estão sendo renovadas pelos municípios. "Infelizmente, não contamos com concurso público para ocupar estes cargos. Logo, fica a cargo do município decidir sobre a contratação e renovação dos profissionais nas unidades. Em geral, são contratos de 3 a 6 meses ou até um ano, mas poucos são renovados.".

Para o conselheiro, a ausência de psicólogos nas equipes de referência é extremamente negativa não só para os profissionais, como para os usuários também. Isto porque, com a saída de um psicólogo durante o acompanhamento, o vínculo já criado anteriormente é prejudicado.

"Isso interfere bastante no acompanhamento dos usuários nas unidades. A ausência do profissional de Psicologia pode trazer um grande prejuízo a eles, pois a psicologia contribui com o seu olhar, sua escuta para formar pessoas cidadãs, o profissional psicólogo tem a possibilidade da escuta e isso colabora para que o usuário da assistência social se perceba como pessoa".

Cobrança – Presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização (COF) do CRP-18MT, Karina Franco Moshage, conta que a entidade esteve in loco no município de Rondonópolis, na região Sul do Estado, e constatou que das cinco unidades do Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) na cidade, nenhuma possuía psicólogos nas equipes. Em virtude disso, Karina, acrescenta que a Prefeitura Municipal será notificada pelo Conselho para que providencie a contratação dos profissionais.

"A alegação dos municípios é sempre de que os contratos foram encerrados e por algum motivo não puderam ser renovados. Porém, profissionais de outras áreas continuam nas unidades, somente os psicólogos é que não estão fazendo parte das equipes. Acredito que ainda falta um pouco de visão quanto à importância do profissional da Psicologia. A legislação obriga aos municípios a presença dos psicólogos e isso não vem sendo cumprindo".

Monitoramento – Com o intuito de verificar a formação das equipes de referência do SUAS em municípios de Mato Grosso, ações de fiscalização e monitoramento vêm sendo realizadas pela Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setas). Porém, para o conselheiro do CRP18-MT, Junio de Souza Alves, somente isso não é o suficiente. Ele explica que além de checar se os profissionais estão nas unidades, é preciso também saber se o trabalho desempenhado por eles está sendo executado conforme as normas e orientações do Conselho Federal de Psicologia (CFP).

"O CRP18-MT e a sua Comissão de Políticas Públicas busca a efetivação do profissional dentro da Assistência Social através de concursos públicos e um local de trabalho em condições para fazer o acompanhamento necessário aos usuários da assistência, pois acreditamos em uma psicologia perto da realidade do povo que e assegurado pela política da Assistência Social". 

 

Redação 24 Horas News

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