Queriam humilhar meu pai, diz Janaina

03/07/2015 16:24

 

 

 

 

“A vontade de humilhar era visível. Vontade de fazer com que um homem que tinha tanto poder, que viveu 20 anos no comando de uma Casa como a Assembleia [Legislativa], ficasse humilhado perante a sociedade”, foi como a deputada estadual Janaina Riva (PSD) descreveu a ação do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) na prisão de seu pai, o ex-deputado estadual José Riva (PSD), na manhã da última quarta-feira (1º).

Em entrevista exclusiva à reportagem de A Gazeta, a pessedista revelou que, por um momento, chegou a acreditar que a visita dos agentes, às 6h da manhã daquele dia, seria somente uma verificação de rotina, possivelmente por algum deslize do ex-parlamentar quanto aos horários que poderia se ausentar de casa. Riva já tinha os passos monitorados pelo sistema prisional do Estado por meio de tornozeleira eletrônica. “Ela me surpreendeu falando que era um mandado de prisão”, conta, em referência à delegada do Gaeco que acompanhou a operação.

Primeira pessoa da família a ter contato com a delegada, Janaina afirma ainda que em momento algum Riva foi informado sobre o motivo de estar, novamente, sendo detido. O ex-deputado havia sido liberado da prisão preventiva, decretada no final de fevereiro, há menos de uma semana na ocasião. “Meu pai foi preso às 6h da manhã, em casa. Ainda não tinha se levantado, estava com tornozeleira e sem saber o motivo da prisão. A delegada se limitou a dizer que ele sabia porque era. Ele dizia que não e ela respondeu: o senhor vai saber a hora que chegar no Gaeco”.

Riva, no entanto, não foi conduzido à sede do Gaeco, conforme Janaina, para onde outras 14 pessoas eram conduzidas coercivamente para prestar depoimento acerca do suposto esquema de desvio de recursos da Assembleia Legislativa que culminou neste novo pedido de prisão contra ele. Foi levado direto para o Centro de Custódia de Cuiabá, onde permaneceu até a tarde ontem, quando a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a suspensão deste pedido foi cumprida.

No caminho até lá, o ex-deputado pediu para que fosse retirada a tornozeleira eletrônica que passou a usar desde sua então liberação, na semana passada. Foi informado, no entanto, que a medida só ocorreria quando a juíza da Sétima Vara Criminal da Capital, Selma Rosane dos Santos Arruda, responsável pelo processo a que ele responde, entendesse ser o momento oportuno. Ainda conforme relato de Janaina, Riva acabou ficando com o equipamento. “Eu o visitei ontem (quarta-feira), no período da tarde, e ele ainda estava de tornozeleira. Dentro do Centro de Custódia, com tornozeleira”.

A forma como a prisão foi conduzida, reforçou na deputada uma opinião que ela afirma que já possuía: de que a atuação da juíza Selma Rosane quanto ao caso é suspeita. “Até pela forma como ela reagiu à decisão do STF. É uma coisa que me assusta, uma decisão de um ministro ser tratada daquela forma. Chegar depois do meio dia, não querer receber a defesa, protelar o tanto que pode e, depois de uma semana, autorizar novamente outro pedido de prisão. Isso demonstra que ela não respeita a decisão do ministro [Gilmar Mendes]”, avalia a parlamentar em referência à primeira determinação do Supremo para que Riva fosse liberado.

Por meio de suas respectivas assessorias, o Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e a juíza Selma Rosane dos Santos Arruda informaram que não vão comentar as declarações da deputada estadual Janaina Riva.

Laura Nabuco, repórter de A Gazeta